segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Cabaret

aqui e de repente me pego sentada na minha janela, minha porta particular do meu mundo, mundo meu habitado por tantos corpos, almas e desejos.
Vestida nessa minha roupa de trabalho vermelha, quase tão justa que me mostra inteira,mas que não me permite aspirar a novas coisas. tenho na mão minha ponteira e um cigarro que um amante esqueceu e preso aos meus pés aquele rum, que me trás as melhores lembranças de uma das minhas vidas.
Fico vendo vocês de fora,mas me sinto dentro de cada passo, de cada olhar trocado. troco o foco e vejo aquele quadro que pintei com os dedos que estão calejados das minhas palavras tortas, confusas e reveladoras.
Agora as cinzas caem sobre meu cabelo liso e vermelho,passo a mão por ele, como é sedoso. é como se você passasse a mão sobre meu corpo em um leve toque de uma mão que deseja conhecer cada pedaço e pegar para si a melhor parte, a mais macia e bonita. O cigarro vai fazendo efeito e eu to adormecendo. Nesses dias em que dormir parece impossível.
Sinto então teu perfume, sim é você que tá chegando com todo o amor e desejo que carregas contigo. Ouço o estalo das escadas e a porta se abrindo em um sintonia com a música ambiente de carros,pessoas e pensamentos. Não vou dizer que vens me ver, pois tu vens me ter, toda tua em teus braços e amassos.
Vou deixando a máquina de escrever de lado, me viro e deito em ti, teu peito respira igual o meu.Sabes o que fazer, sei que tens o que dizer, mas não precisa,não agora pelo menos. Então eu simplesmente durmo,tão leve quanto você, quanto suas mãos...

4 comentários:

S. M. Negrão disse...

Muito bom!

Diego Aguiar disse...

parabéns Maria! Gostei do texto!!
:)

Anônimo disse...

cabaret é a tua vida

Diego Oliveira disse...

Incrível é ver que palavras bem construidas formando um belo texto, venham de uma jovem e dedicada blogueira, que diferente do amigo que vos fala, não tem mais a paciência para atirar seus verbos on line. Parabéns mocinha. keep going